Está aqui: Início - Fitossanidade - Laboratório da Produção das Culturas - Informação Técnica - Fungos

 

Micélio do fungo Armillaria spp. em raiz de videira.

 

O solo é um sistema biológico em equilíbrio dinâmico.

A actividade agrícola, quer através da aplicação de adubos, correctivos e pesticidas, quer pelas operações culturais, interfere neste sistema.

A ausência de rotações culturais, a rega excessiva e as adubações desequilibradas constituem factores favoráveis ao desenvolvimento de “Doenças radiculares”. As doenças radiculares constituem um dos problemas mais graves da fitossanidade, comum a plantas lenhosas e herbáceas.

A capacidade de sobrevivência dos fungos responsáveis pelas doenças radiculares torna o seu combate difícil, sendo preferível adoptar práticas culturais que evitem o parasita. Os sintomas que se observam na parte aérea das plantas (redução do crescimento, clorose (amarelecimento) das folhas, necroses (acastanhamento) das folhas, seca de alguns ramos ou de parte da planta) não são específicos, não permitindo o diagnóstico pela simples observação visual.
As análises laboratoriais têm aqui um papel fundamental na identificação do fungo que está presente. Chamamos a atenção para a importância da recolha da amostra de material vegetal que se destina à análise.

A análise incide sobre a raiz e zona do colo da planta doente. No caso de se tratar de plantas herbáceas, deverá recolher-se mais de um exemplar. Nas espécies lenhosas, dependendo do porte, poderá colher-se uma planta (arbustos e árvores jovens) ou parte da raiz (árvores de grande porte). Deve-se escavar o bastante para retirar raízes infectadas (normalmente com coloração acastanhada), pois sendo mais frágeis, facilmente ficam no terreno, retirando-se apenas raízes sãs. Tendo por base as consultas recebidas no “Laboratório de Protecção das Culturas”, pretendemos, de uma forma simples, divulgar algumas doenças radiculares presentes na região, em diferentes hospedeiros.

A primeira doença que iremos abordar é a “Podridão agárica”, a mais importante, quer pela distribuição espacial, quer pela abrangência no que diz respeito aos hospedeiros.
1. Podridão agárica
  • SINTOMAS:
Os sintomas na parte aérea das plantas são semelhantes aos provocados por outros fungos radiculares. As plantas infectadas apresentam diminuição do vigor vegetativo, folhas amareladas e desfoliação prematura, acabando por morrer. Uma planta lenhosa infectada poderá morrer em poucos dias.

Nas raízes e zona do colo, entre a casca e o lenho, poderá observar-se o micélio do fungo (massa branca, nacarada, em forma de leque), que tem um odor característico.
 

Micélio do fungo Armillaria spp. (zona do colo de ornamental).

Por vezes, os rizomorfos (cordões de micélio revestidos por uma “capa” escura) também estão presentes. Estas estruturas podem-se confundir com raízes.

A presença de tufos de “cogumelos” junto das plantas infectadas é rara na região.

No campo, as plantas doentes formam uma mancha tipo “nódoa de azeite”. Também se podem distribuir ao longo de uma linha, coincidindo com plantas infectadas que foram previamente arrancadas (por exemplo, uma ramada ou oliveiras).

A idade da planta, o vigor vegetativo e as condições ambientais (nomeadamente a humidade do solo) têm influência na severidade da doença.
  • MEIOS DE LUTA
  1. Nos locais em que forem identificadas plantas infectadas, estas deverão ser arrancadas e queimadas, retirando os restos de raízes da terra. As covas deverão permanecer abertas durante o Verão, de forma a permitir a incidência dos raios solares. Não replantar no mesmo local.

  2. Em determinadas situações, poderá abrir-se uma vala no terreno, para impedir a progressão do fungo

  3. Na preparação do terreno para instalação de um pomar ou vinha, devem efectuar-se mobilizações profundas para remoção de restos de raízes que possam existir no solo. Estas raízes devem ser queimadas.

  4. Corrigir situações de má drenagem no solo.
    Poderá haver necessidade de melhorar a drenagem em toda a área ou de forma localizada.
    A selecção de espécies tolerantes a solos com fraca drenagem deve ser tida em conta.

  5. Efectuar regas equilibradas.
    Chamamos a atenção para uma situação que observamos com muita frequência nos jardins em que há árvores e arbustos distribuídos por relvados: os sistemas de rega programados para fornecer elevadas quantidades de água aos relvados, regam em excesso as plantas lenhosas.
  • Artigos e relatórios sobre trabalhos realizados na região:
Chicau, G. & Inglez, M. (1998) Armillaria sp. responsável pela podridão radicular na videira. O Minho, a Terra e o Homem, Braga, 37: 41-44.
Chicau, G. & Inglez, M. (2000) Estudo das Doenças do Lenho e do Sistema Radicular da Videira – Armillaria spp.. Relatório do Projecto INTERREG II 1/1/5/DGDR/97 D.R.A.E.D.M., Porto. 27 pp.
Chicau, G., Figueiredo, F., Campos, P., Bacelar, S. & Inglez, M. (2004) Avaliação da incidência de Armillaria spp. em três concelhos da região de Entre Douro e Minho. In Actas do 4º Congresso da Sociedade Portuguesa de Fitopatologia, 4-6 de Fevereiro, Universidade do Algarve, Faro, pp. 165-170.
  • FICHAS TÉCNICAS:
  1. Ficha técnica nº 102 -  Podridão Radicular provocada por Armillaria spp..
  2. Ficha técnica nº 4 - Doenças na Actinídea.
 

 


Acessibilidade na Web[d]

Copyright 2008-2012 DRAPN, Todos os Direitos Reservados
[ Avisos Legais ] [ Política de Privacidade ] [ Link's Úteis ] [ Sugestões ] [ Webmail ] [ Faq's ]

Em Conformidade com o nível 'A' das WCAG 1.0 do W3C e de acordo com RCM número 155/2007, de 2 de Outubro